Crônicas

Reverso

Do ponto de vista, em revista ao comportamento, seguimos como suspeitos apontando os defeitos alheios sem nos importarmos com a ferrugem no fundo de nossa piscina. Sentamos à mesa da discórdia apontando o que nosso interlocutor ignora, não por desconhecer, mas convicto de suas posições. A cada cálice degustamos nossa insensatez inebriadas pelo aplauso e sorrisos falsos apenas no intuito de agradar o ego que invade nossa alma despertando os sentimentos mais vis. Cabe rever nossas crenças, arraigadas dentro de cada um, e expor em tela gigante diante de nossos olhos, e olhos atentos, convocando o ponto de vista contrário e deixar que a cor do igual seja mais forte que o estilo próprio às vezes tão dominante para dispensarmos poucos segundos de sua atenção. Somos todos iguais? A obviedade fica claro, somos todos advindos do mesmo arquiteto que aplainou com suas próprias mãos e com o seu hálito único e incomparável, ofereceu a chance de despertarmos do pó que nos carrega ao caminharmos sobre sua superfície e continua nos presenteando com a energia que denominamos “natureza” e é seu prazer, provocar sorrisos e encontros floridos à mesa do jantar. Há! esse jantar em volta da mesa, tão distante de nossa realidade a cada dia mais virtual e deserta. Que consome os nossos momentos tão importantes quanto um “post”. Tão necessário quanto um comentário insano, achando que somos sábios cronistas e críticos, provocando desencontros e aversões ao semelhante para onde estamos indo? Eu posso ver no fim da linha do texto, a solidão do personagem caricato que se vê em uma bolha, protegidos dos seus ex. amigos e adorado por seus seguidores virtuais que não fogem da máxima: “Ontem me idolatravam, hoje bloqueiam-me”. Alguns suportam o “deslike”, mas a estrela se torna anorexia mentalmente e vocifera aos quatro cantos da rede, toda a sua fúria e as vezes se deixa vencer ao perder seus “fãs”. Um olhar mais apurado, é possível perceber que as páginas de um livro antigo, fica a cada dia mais empoeirado no canto de uma estante ou no baú da vovó, que sempre tinha bons conselhos sentada à cadeira de balanço. Nós talvez não percebemos, (por que não lemos) o mapa da mina que está ali nas páginas deste livro contendo tesouros e cada frase, ensinamentos em cada história e inspiração em cada ato praticado pelos seus personagens e é ali nas linhas desta carta de amor, que está o maior de todos os exemplos de um homem que um dia incondicionalmente, preferiu você.

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